A Febre da Copa Toma Conta das Ruas: Três Pontas e Varginha entram no clima do Mundial e revivem a magia dos Álbuns de Figurinhas

A Febre da Copa Toma Conta das Ruas: Três Pontas e Varginha entram no clima do Mundial e revivem a magia dos Álbuns de Figurinhas

Roger Campos
11 de junho de 2026

Finalmente está começando a Copa do Mundo de 2026 e um velho ritual voltou a unir gerações, movimentar praças, calçadas, escolas, centros comerciais e despertar uma paixão que atravessa décadas. Em Três Pontas e em Varginha, a reportagem do Conexão Três Pontas flagrou um cenário que se repete em centenas de cidades brasileiras: grupos de crianças, adolescentes, pais, mães, avós e colecionadores reunidos em busca de um objetivo em comum — completar o álbum oficial da Copa do Mundo.

O que para alguns pode parecer apenas uma brincadeira, para milhões de pessoas representa uma das tradições mais marcantes da história do futebol. Em cada pacote aberto existe a expectativa de encontrar aquele craque tão aguardado, o escudo brilhante da seleção favorita ou a figurinha que falta para preencher um espaço vazio no álbum. E é justamente essa mistura de emoção, nostalgia e paixão pelo futebol que faz dos álbuns de figurinhas um fenômeno cultural mundial.

A tradição começou há mais de sete décadas. Os primeiros álbuns relacionados à Copa do Mundo surgiram em 1950, justamente durante o Mundial realizado no Brasil.

Desde então, colecionar figurinhas se tornou um hábito que atravessou gerações. A partir dos anos 1970, com a consolidação da editora italiana Panini no mercado internacional, os álbuns ganharam projeção global e passaram a acompanhar praticamente todas as edições do maior evento esportivo do planeta. Hoje, a marca comercializa seus produtos em mais de 120 países e transformou os álbuns da Copa em um dos itens mais desejados por torcedores de todas as idades.

No Brasil, a paixão pelas figurinhas alcançou um nível difícil de ser comparado a qualquer outro lugar do mundo. A própria Panini já declarou em diversas oportunidades que o mercado brasileiro é um dos maiores e mais apaixonados do planeta. Durante a Copa de 2014, realizada em território nacional, a empresa chegou a produzir cerca de 40 milhões de figurinhas por dia para atender à enorme demanda dos consumidores brasileiros.

O sucesso se repetiu em 2018 e atingiu níveis impressionantes em 2022, quando houve falta de álbuns e pacotes em várias cidades do país. A procura foi tão intensa que bancas, supermercados e papelarias registraram filas e esgotamento de estoque em poucos dias. A busca pelas chamadas figurinhas raras movimentou grupos nas redes sociais, encontros presenciais e até plataformas digitais especializadas em troca de cromos.

Agora, em 2026, a febre voltou com força total. O álbum desta Copa é o maior já produzido na história do torneio. São 980 figurinhas diferentes distribuídas em 112 páginas, contemplando as 48 seleções participantes da competição organizada por Estados Unidos, México e Canadá. A coleção inclui ainda dezenas de cromos especiais e versões raras que aumentam ainda mais o interesse dos colecionadores.

Em Três Pontas e em Varginha, o movimento observado pela reportagem impressiona. Em vários pontos da cidade, famílias inteiras têm se reunido para trocar figurinhas repetidas. Há crianças iniciando sua primeira coleção, jovens revivendo a infância e adultos que mantêm viva uma tradição iniciada há décadas. O álbum deixou de ser apenas um produto comercial para se tornar uma experiência coletiva capaz de aproximar pessoas, gerar conversas e fortalecer laços familiares.

No shopping de Varginha foi impressionanbte e assustadora a quantidade de pessoas, gerações, famílias inteiras trocando figurinhas. A febre realmente voltou e veio com muita força e está unindo avôs, pais, filhos e muitas meninas e mulheres também!

Especialistas apontam que a troca de figurinhas possui um valor social que vai muito além do simples ato de colecionar. Ela estimula convivência, negociação, interação entre diferentes gerações e cria um ambiente de compartilhamento cada vez mais raro em uma época dominada pelas telas e pelo consumo digital.

Mas junto com a empolgação também surgem os alertas. Com a enorme procura por álbuns e pacotes, órgãos de defesa do consumidor e empresas do setor chamam atenção para a comercialização de produtos falsificados. Em diversas regiões do país já foram registradas denúncias envolvendo álbuns não oficiais, pacotes adulterados e figurinhas produzidas ilegalmente. A orientação é que os consumidores adquiram produtos apenas em estabelecimentos autorizados, exijam nota fiscal e desconfiem de ofertas com preços muito abaixo dos praticados no mercado.

Outro fenômeno que chama atenção é o crescimento do mercado paralelo de figurinhas raras. Algumas versões especiais de jogadores consagrados chegam a atingir valores elevados entre colecionadores, transformando uma simples figurinha em objeto de desejo e investimento. Em Copas anteriores, determinadas peças alcançaram preços surpreendentes em negociações pela internet.

Mas, acima de qualquer valor financeiro, o verdadeiro patrimônio continua sendo a experiência proporcionada por cada álbum completado. Afinal, para milhões de brasileiros, a Copa do Mundo começa muito antes do apito inicial. Ela começa no cheiro do álbum recém-aberto, na ansiedade ao rasgar um pacote de figurinhas, na alegria de encontrar o craque favorito e naquele tradicional grito que ecoa em todas as rodas de troca: “Tem repetida?”

Em Três Pontas e em Varginha, assim como acontece em todo o Brasil, a Copa já começou. E ela está sendo vivida página por página, figurinha por figurinha, sonho por sonho.

Porque antes dos gols, das emoções e da luta pelo hexacampeonato, existe uma tradição que resiste ao tempo e continua encantando gerações: a magia de completar um álbum da Copa do Mundo.

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Roger Campos

Jornalista / Editor Chefe

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