COMO SERÁ NOSSA SAFRA? GRANIZO QUE ATINGIU O SUL DE MINAS ACENDEU SINAL DE ALERTA PARA A COLHEITA DE CAFÉ ; PREJUÍZOS PODEM SUPERAR 230 MIL SACAS

COMO SERÁ NOSSA SAFRA? GRANIZO QUE ATINGIU O SUL DE MINAS ACENDEU SINAL DE ALERTA PARA A COLHEITA DE CAFÉ ; PREJUÍZOS PODEM SUPERAR 230 MIL SACAS

Roger Campos
11 de junho de 2026

Tempestade que atingiu lavouras em plena colheita preocupa produtores; Três Pontas acompanha cenário com atenção redobrada

O céu escureceu, os ventos ganharam força e, em poucos minutos, pedras de gelo transformaram a esperança de muitos produtores em preocupação. O temporal acompanhado de granizo que atingiu diversas cidades do Sul de Minas nos últimos dias trouxe apreensão para uma das regiões mais importantes da cafeicultura mundial e reacendeu um temor que todo produtor conhece: perder parte da safra justamente no momento da colheita.

Os municípios de Boa Esperança e Campo do Meio aparecem entre os mais afetados pelas tempestades registradas no sábado (30). Relatos de produtores rurais apontam danos expressivos em áreas de cultivo, com café derrubado dos pés, lavouras castigadas pela força do granizo e prejuízos também em grãos que já estavam espalhados nos terreiros de secagem.

Uma estimativa preliminar divulgada por representantes do setor aponta que as perdas podem chegar a aproximadamente 230 mil sacas de café. Embora ainda não exista um levantamento oficial consolidado sobre o número de propriedades atingidas ou a extensão total das áreas afetadas, o impacto já é considerado relevante por lideranças da cadeia produtiva.

O momento não poderia ser mais delicado. O fenômeno climático ocorreu justamente no início da colheita da safra 2026, período em que milhares de produtores do Sul de Minas intensificam os trabalhos nas lavouras. Além do café derrubado das plantas, houve perdas de qualidade em lotes que estavam em processo de secagem, exigindo uma rápida mobilização dos produtores para tentar minimizar os danos.

Especialistas explicam que parte dos grãos atingidos ainda pode ser aproveitada. O café recolhido do chão ou afetado pelo granizo pode ser destinado a categorias de menor valor agregado, como cafés tradicionais e extrafortes. Ainda assim, a rentabilidade do produtor é diretamente afetada, já que o produto perde qualidade e valor de mercado.

Apesar da preocupação, o cenário geral da safra 2026 continua sendo acompanhado com relativo otimismo pelo setor. Após anos marcados por geadas severas, estiagens prolongadas e oscilações climáticas extremas, as lavouras do Sul de Minas apresentaram boa recuperação vegetativa. A expectativa é de uma safra expressiva, favorecida por chuvas mais regulares durante fases importantes do desenvolvimento das plantas.

TRÊS PONTAS

Em Três Pontas, considerada uma das capitais brasileiras do café, o sentimento entre produtores é de cautela, mas também de confiança. O município, que abriga uma das maiores concentrações de cafeicultura do país e é sede de importantes cooperativas do setor, como a Cocatrel, iniciou a colheita com perspectivas positivas tanto em produtividade quanto em qualidade.

A safra trespontana deste ano é vista como estratégica para a economia local. Milhares de empregos diretos e indiretos dependem do desempenho das lavouras, movimentando desde o transporte até o comércio, as cooperativas, os armazéns, as exportadoras e o setor de serviços. Em muitas propriedades, os produtores relatam boa carga produtiva, frutos com excelente formação e expectativa de cafés de alta qualidade, especialmente nas áreas que não sofreram interferências climáticas significativas.

A importância de Três Pontas para o mercado internacional do café reforça a atenção com qualquer evento climático. O município integra uma região responsável por parcela significativa da produção brasileira de café arábica, produto que coloca o Brasil na liderança mundial das exportações e abastece consumidores nos mais diversos continentes.

Embora o granizo tenha atingido municípios vizinhos e provocado prejuízos relevantes, ainda é cedo para medir os reflexos efetivos sobre o volume total da safra regional. Técnicos e produtores seguem realizando levantamentos de campo para identificar a extensão dos danos e avaliar possíveis impactos sobre a produção final.

O episódio, porém, serve como mais um lembrete de que a cafeicultura convive permanentemente com os desafios impostos pela natureza. Em uma atividade onde meses de trabalho podem ser afetados por poucos minutos de intempérie, cada safra representa uma nova batalha entre tecnologia, planejamento, dedicação e fatores climáticos que continuam sendo impossíveis de controlar completamente.

Enquanto as máquinas avançam pelas lavouras e os terreiros começam a receber os primeiros lotes da colheita, o Sul de Minas segue atento ao céu. Afinal, em uma região onde o café move a economia, gera empregos e sustenta milhares de famílias, qualquer mudança no clima pode significar muito mais do que números: pode representar o futuro de uma safra inteira.

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Roger Campos

Jornalista / Editor Chefe

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