OPINIÃO: QUANDO O SILÊNCIO E A DEMORA ‘MATAM’ A VÍTIMA NOVAMENTE E ‘AGONIZAM’ SEUS FAMILIARES
A quem interessa o silêncio? Quem é que se beneficia com a letargia, a morosidade, a inércia, a inoperância e o aparente descaso do Estado? Uma coisa é certa: silêncio e demora na busca por justiça cheiram descaso e impunidade!
No Brasil, o índice de resolutividade de casos que se amontoam nos fóruns é absurdo. O que faz com que os processos se arrastem por anos ou até décadas. Alguns caducam, prescrevem… Em outros, famílias de vítimas de crimes bárbaros e hediondos padecem em vida esperando por justiça e uma parcela acaba morrendo, por diversos motivos, sem ter o alento de ver a justiça dos homens sendo feita, cumprida.
No Brasil o índice de resolutividade de casos criminais é muito baixo, especialmente para os homicídios, ficando em torno de 35% a 40%. Globalmente, países desenvolvidos apresentam taxas de resolução significativamente maiores, muitas vezes superando os 70% ou 80%.
FATORES DE DIFERENÇA
- Estrutura Policial e Investigativa:Diferenças no investimento, treinamento e integração das polícias (Civil e Militar no Brasil, com divisões de competência).
- Capacidade de Investigação:Número insuficiente de peritos e delegados, e falta de recursos tecnológicos.
- Violência e Crime Organizado:O Brasil tem níveis de violência e crime organizado muito acima da média global, o que impõe desafios adicionais às investigações.
Jamaica e África do Sul estão entre os países mais violentos do mundo com taxas médias de 52,13 homicídios por cada 100 mil habitantes.
2017 foi o ano mais sangrento no mundo, em termos de homicídios, já que foram computados oficialmente 464 mil assassinatos, isso sem contar os casos subnotificados, que ninguém fica sabendo ou que não entram para as estatísticas.
O Brasil, por exemplo, é considerado mais violento, em muitos períodos, que a Nigéria, com uma média de 37 homicídios por cada 100 mil habitantes.
Em 2025, foram cerca de 50 mil assassinatos no Brasil!
DEMORA E IMPUNIDADE
No Brasil, a taxa de elucidação de crimes graves, como homicídios, realmente é muito baixa. Gira em torno de 36% a 40% no máximo, com o tempo médio de julgamento que pode levar mais de 8 anos.
Enquanto no mundo, principalmente nos países desenvolvidos, o tempo médio de tramitação e conclusão de um processo leva em torno de 232 dias, no Brasil quase que em sua totalidade é de 600 dias, podendo ultrapassar e muito esse prazo, como vemos comumente.
Nessa Reportagem Especial, trazemos 3 casos emblemáticos em nossa cidade e região, onde ainda se espera justiça:
CASO DAVI
A Polícia Civil indiciou o padrasto do menino Davi Miranda Totti, de 3 anos, que morreu após ser espancado em Varginha (MG), por homicídio qualificado e tortura. A mãe da criança também foi indiciada por omissão.
O padrasto Leonardo José Cardoso Azevedo e a mãe da criança, Paula Danielle Estevam de Miranda, foram indiciados no dia 31 de março pela Polícia Civil. As informações constam em um documento disponível para consulta pública no Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
Conforme o documento, o padrasto foi indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima, além do crime de tortura. Já a mãe da criança foi indiciada por omissão.
O caso aconteceu em 25 de fevereiro de 2025. Segundo o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, quem acionou os militares foi a médica plantonista da UPA, onde a criança deu entrada com crise convulsiva.
De acordo com o documento, a médica informou que a criança apresentava ferimentos e hematomas pelo corpo, como mordidas no ombro e na face, vários hematomas e lesões no couro cabeludo, sangramento no globo ocular e na boca.
Silêncio:
Nossa reportagem, fez uma cobertura detalhada do caso, obtendo uma repercussão gigantesca. Cobramos por respostas inúmeras vezes. Mas o caso segue sob Segredo de Justiça (o que, na maioria dos casos, para nós, é um absurdo!). A Justiça não se pronuncia, não fala nada. Sequer houve uma coletiva de imprensa decente e clara (como se fez muitas vezes aqui em Três Pontas pelo então Delegado Dr. Gustavo Gomes). E a imprensa, principalmente de Varginha, parece ter se acomodado, se conformado com a falta de informações. As cobranças das tevês e órgãos de imprensa de Varginha, que eram escassas, minguaram mais ainda, não se vê, ouve ou lê mais nada. Infelizmente!
Enquanto o tempo passa, vai ficando a sensação de descaso, de ‘banho maria’, de impunidade expressa! Até quando?
CASO IVAN LEOCÁDIO
No dia 06 de abril de 2024 mais um homicídio foi registrado pela Polícia Militar de Três Pontas. Na madrugada daquele sábado, um casal vinha discutindo e a situação culminou em uma tragédia. Ainda conforme a PM, o fato foi registrado na Rua Doutor Godofredo Rangel. A mulher, que segurava a filha de 9 meses no colo, teria esfaqueado o companheiro no peito. O golpe atingiu o lado esquerdo do tórax da vítima, que tinha 22 anos de idade.
Assim que a equipe da Polícia Militar chegou ao local se deparou com a mulher do lado de fora da casa amparando o companheiro, Ivan André Leocádio, gravemente ferido. A vítima chegou a ser socorrida pela equipe do SAMU mas não resistiu aos ferimentos e acabou morrendo.
A mulher teria alegado à Polícia que os dois já se relacionavam a cerca de um ano e meio e que o convívio dos dois era bastante turbulento, com discussões constantes inclusive, segundo ela, com ameaças de morte contra a sua pessoa, por parte do homem.
A mãe do jovem morto segue lutando incansavelmente em busca de justiça, pois, segundo ela, seu filho teria morrido de forma covarde nas mãos de uma mulher que já tinha agredido o rapaz outras vezes.
Morosidade:
Em entrevista exclusiva ao Conexão, a mãe de Ivan disse que não entende tamanha demora nos trâmites do caso e afirmou inúmeras vezes ter ido até a Delegacia da Polícia Civil em busca de novas informações e andamento do caso. Seu grande temor, como ela mesma diz, é que a acusada fique impune e que a morte de seu filho seja em vão, sem ter a justiça que ela espera.

“Eu só estou de pé pelos meus outros filhos e por Deus…”
CASO SR. JOSÉ RODOLFO
O Sr. José Rodolfo foi atropelado por um ônibus da Viação Avanti, no dia 21 de agosto de 2025, por volta das, 16h30, enquanto atravessava a Rua Luiz Antônio Ribeiro, esquina com a Avenida José Caxambu.
A empresa, procurada pelo Conexão Três Pontas, encaminhou uma nota sobre o ocorrido e as acusações de familiares da vítima de que nenhuma assistência foi ofertada pela empresa durante a internação do idoso e também agora, depois de sua morte. Para a família, a nota é ‘fria, insensível e ‘apenas técnica!’ Veja a nota:
“Lamentamos profundamente o falecimento de José Rodolfo. Informamos que durante a internação prestamos assistência e acompanhamos seu quadro de saúde de perto, até a família optar por retirá-lo do hospital e transferi-lo para uma clínica. O fato do falecimento será apurado para verificar se há relação com o acidente. Lamentamos mais uma vez o seu falecimento e nos solidarizamos com família e amigos.”
A sobrinha do idoso de 81 anos, Tamiris Vieira, expôs a indignação da família:
“Estou em contato com o Conexão por conta de uma situação que a gente não acha justa. Meu tio foi atropelado no dia 21 de agosto e o que saiu na imprensa não condiz com a verdade dos fatos. Estão tentando distorcer e abafar o caso. Foi falado que ele estava bem, que não corria risco de morte e que, aparentemente estava tudo resolvido. Mas não é verdade! Ele não estava nada bem e a empresa de ônibus não ofereceu nenhuma ajuda, nem nada. E agora ele acabou morrendo, infelizmente. Ele era ativo, saudável, não entrou na frente do ônibus. As câmeras mostram tudo. Queremos justiça!”, revelou.
Conclusão
Além desses citados na reportagem, outros tantos esperam solução em nossa cidade e região, alguns, é verdade, ainda recentes. Aqui em Três Pontas, por exemplo, lembramos de um idoso de 72 anos de idade que foi brutal e covardemente assassinado com uma barra de ferro, no bairro Botafogo, no dia 02 de Julho de 2025. Também lembramos do caso de um indivíduo que foi preso depois de vandalizar veículos e incendiar uma loja no centro da cidade de Três Pontas, causando um prejuízo enorme ao comerciante. Teve ‘mãe’ que jogou o bebê recém nascido no córrego da Avenida José Lagoa. Tivemos de tudo um pouco.
Só não estamos conseguindo ter toda a paciência que a Justiça nos impõe por conta da demora da conclusão dos casos.
É fato que cada caso deve ser analisado com imparcialidade, cautela e profundidade. E não estamos aqui apontando inocentes ou culpados. Isso é dever da Justiça! São casos que ainda permeiam o pensamento coletivo e que, de alguma forma, se busca justiça, cada um a sua maneira, por cada um deles. É fato também que a polícia sempre faz o seu papel. Muitas vezes identifica e prende os autores de crimes ou nas mais diversas ocorrências. E, por conta dessas leis retrógradas, arcaicas, num piscar de olhos, a justiça põe o criminoso novamente na rua. É como enxugar gelo…
Será que aquele ditado, de fato é a síntese na Justiça no Brasil: “Quem cala, consente!”?
*Jornalista Roger Campos
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Roger Campos
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